Estava parado, mas sentia que precisava correr. Depois daquela dança -não foi uma dança, estava era bêbado- nunca mais te vi, ou se vi não foi igual à primeira vez -talvez nem me lembre mais do teu rosto-, mas senti nos pulmões um inflar que nem o cigarro mais vagabundo poderia fazer igual, aquela falta de ar não era normal -mas eu também não sou-, e como se já a conhecesse de outros carnavais -como se ainda estou me guardando pra quando o carnaval chegar?- te tornei minha Colombina, e me declarei Momo -crítico injusto, irônico e mal intencionado-, mas ainda não era carnaval.
De repente veio uma quarta-feira-de-cinzas -como se ainda não era carnaval?-, mas a tarde era tão vermelha que parecia até que seriam os quarenta dias de festa, mas foi o calor do deserto que pintou o céu quando te olhei e você não me viu. Não era a aurora que deixava a tarde púrpura, era o mundo em chamas. E eu cruzei o deserto, mas não achei a terra prometida, no fim do arco-íris, o pote era de sucrilhos, eu nem fome tinha, e, essa história não faz o menor sentido.
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